Veja o que o tempo faz, eu nem te conheço mais

01/09/2009 por Sabrina Machado

Quanto tempo é o bastante para conhecer alguém? Um dia, um mês, um ano? O medo é perceber que nunca se conhece alguém o suficiente para saber as reações que a pessoa terá em determinadas situações. Por acaso você já parou para pensar que nem mesmo você se conhece?

Naquele dia, ela pensou que tudo seria diferente. A semana tinha se passado e ela decorou um e-mail retirado de uma conversa de MSN. Nele, estavam a maioria das coisas que seu amado gostava. Mesmo sem saber como proceder ou qual seria a reação dele, ela decidiu arriscar.

Ele gostava de coisas simples. Um dia comentou sobre um domingo em que saíram para tomar sorvete. A cena foi descrita na conversa e relembrada por todos esses meses de ausência. Talvez começar pelo sorvete seria o certo a se fazer, talvez.

Nada saiu como o planejado e apesar de ter relutado em tentar contato, ela sabia que o ideal seria apostar. Arriscou e perdeu. Ficou triste mais uma vez. Ali, parada naquela avenida por onde andaram tantas vezes, teve vontade de chorar, mas segurou.

Os pensamentos se misturavam mais do que as pessoas andando de um lado para o outro dentro daquela livraria. Foi lá que ela tentou consolo. Mais uma vez em vão, mas quem poderia prever. Pensou que não era boa o suficiente ou que tinha virado apenas passado, quem sabe por não ter significado tanto ou apenas por ele ter confundido as coisas, ter maximizado um sentimento que era pequeno.  

O fato é que ela se sentiu mal. Tinha deixado de lado todas as suas vontades com um único objetivo, vê-lo feliz como naquele domingo. Ele não queria aquilo, vai saber se na época foi verdadeiro. Na verdade, essa dúvida ela não tinha, mas achava que poderia ter sido apenas por conveniência. Ela sempre estava lá. Sempre o procurava, sempre o mimava e tentava de todas as formas arrancar um sorriso daquela cara emburrada.

Ela não chegou a pensar que a falta de convivência a levou para um lugar obscuro, onde ela não enxerga o que ele sente. Ela não o conhece mais, talvez por causa do tempo. O único conselho que ela pode ter é esquecê-lo, por mais que isso pareça impossível depois de ter passado tanto tempo.

Quem você pensa que é?

02/08/2009 por Sabrina Machado

Eu penso que sou alguém. Alguém que um dia te quis bem. E esse dia se repetiu até hoje, principalmente quando me sinto só, como nas noites de insônia. Amar é ceder, é deixar a outra pessoa ser feliz. Se me perguntarem se eu trocaria o estado de amar pelo de amada, eu diria não.

O sentimento é só meu e ninguém tira e ninguém cura. Já não sei mais o que é ter intimidade com você. Não sei da sua vida, se está com barba ou cavanhaque. Se ainda usa aquele perfume que eu gostava. Apesar de não saber de nada ainda sinto sua presença. 

No seu prato predileto, nos arredores da sua casa, na música do restaurante, nos meus sonhos que insistem em me assombrar. Você está aqui. Em algum lugar dentro de mim. E nada do que eu faço consegue te afastar. Já faz tempo, eu sei. Você já deve ter tido várias mulheres ou então pode estar com a mesma planejando o futuro, viagens, morarem juntos, essas coisas que fizemos uma vez. 

Sinto uma saudade daquele tempo. Nada disso é lamentação. Eu te amo mesmo distante, não nego. Mas aceito a sua felicidade. Se não me procurou é porque não fiz falta ou porque está feliz. E se está feliz, é o que importa. Você também deve preferir amar a ser amado. Espero que ela te ame tanto quanto eu.

Sentado à beira do caminho

14/07/2009 por Sabrina Machado

Roberto Carlos e Erasmo Carlos

Eu não posso mais ficar aqui a esperar
que um dia, de repente, você volte para mim
Vejo caminhões e carros apressados a passar por mim
estou sentado à beira de um caminho que não tem mais fim
Meu olhar se perde na poeira dessa estrada triste
onde a tristeza e a saudade de você ainda existem
Esse sol que queima no meu rosto um resto de esperança
de ao menos ver de perto o seu olhar que eu trago na lembrança

Preciso acabar logo com isso
Preciso lembrar que eu existo
Que eu existo,que eu existo

Vem a chuva, molha o meu rosto e então eu choro tanto
minhas lágrimas e os pingos dessa chuva
se confundem com o meu pranto
Olho pra mim mesmo, me procuro e não encontro nada
sou um pobre resto de esperança à beira de uma estrada

Preciso acabar logo com isso
Preciso lembrar que eu existo

Carros, caminhões, poeira, estrada, tudo, tudo
se confunde em minha mente
minha sombra me acompanha
e vê que eu estou morrendo lentamente
Só você não vê que eu não posso mais ficar aqui sozinho
esperando a vida inteira por você, sentado à beira do caminho

Preciso acabar logo com isso
Preciso lembrar que eu existo

Turbilhão da madrugada

17/06/2009 por Sabrina Machado

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Tudo voltou. Para falar a verdade, acredito que nunca tenha ido embora. Genética? Contaminação? Imaginação, talvez. Ninguém jamais saberá. Muito menos o pobre Jonas, que se via pensando sobre a história de um xará com a baleia. Ele havia crescido, não era o menino de nove anos, que gostava de futebol de botão. Havia passado outros nove anos.

“A idade da liberdade”, sua frase predileta. Jonas falaria de cinco em cinco minutos, no dia 17 de janeiro daquele ano. Mal sabia ele, o significado de estar livre. Rebeldia não traduzia a fase que o rapaz estava passando. Anarquia se adequava mais ao momento, isso se não levarmos tudo ao pé da letra.

Música, ou melhor, rock’n roll era a sua vida. Carro, ou melhor, Opalão 80 era a sua vida número dois. Ele ainda teria mais cinco. Algumas delas estavam presentes quando tudo aconteceu. Mas será que realmente aconteceu?

Jonas não existiu. Ele não era mais o garoto Jonas, que conheci. Mal falava com os antigos amigos. Respondia com a menor gentileza possível a própria mãe. O pobre garoto não entendia o que era a “idade da liberdade”.

Vida regrada a drogas e álcool, se é que não posso enquadrar a segunda com a primeira. Escapou da morte pela primeira vez, quando bateu o carro a mais de 120 quilômetros por hora. Na segunda, foi quando embriagado, quis dar um mergulho no mar. A terceira, quando caiu de moto e o carro freou a tempo. A quarta, quando teve uma overdose por uso de cocaína. A quinta, não me lembro. A sexta foi ontem.

Meu nome é Jonas Rocha. Sou duro como uma pedra e valente como o Jonas que foi engolido por uma baleia. Eu já deveria ter morrido seis vezes. Começo a acreditar que sou como um gato. Tenho sete vidas.
Essa é minha última vida. Renasci e hoje não tenho mais dezoito anos, “a idade da liberdade”. Hoje moro sozinho, vivo sozinho. Sem amigos, sem opala, sem o velho rock’n roll.

Não vou revelar quanto tempo se passou desde aquele 17 de janeiro. Mas posso dizer que a vida passa muito depressa. Os nossos atos têm reflexos em todo o futuro. O arrependimento não mata, sou prova viva disso. O mais triste foi ter perdido a Jaqueline naquele acidente de carro. Todo dia tento lembrar e esquecer daquela noite.

A culpa é a pior sensação que um ser humano pode ter. O “se” é a pior palavra que podemos pensar. “Se eu tivesse…”

Tudo voltou. Não sei por que, mas voltou. As mesmas sensações, os mesmos medos, a mesma falsa liberdade, as mesmas vozes. Só não o mesmo Jonas.

29/05/2009 por Sabrina Machado

Outro coração

01/05/2009 por Sabrina Machado

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Quem disse que não estar com alguém é ruim?

Quem falou que não ter um dia certo para ver aquela pessoal especial é o fim do mundo?

Quem acha que a felicidade depende de alguém?

Quem já pensou em sumir quando tal alguém o abandonou?

 

 Ele disse que não iria jogar mais tênis, porque tinha de ver a namorada ainda. Não percebi nenhuma empolgação quando ele falou isso para todo mundo ali presente. Quando sair com alguém se torna uma obrigação, acredite, é melhor estar só.

A solidão não é ruim, porque se você perceber, só estará só quando quiser. Você tem amigos, família e você. Algum desses daí sempre estará contigo.

Nem por isso, você deixou de amar. Nem por isso, você já esqueceu ou está procurando outro alguém. Nem por isso, você está conformado com a sua situação. Mas a sua felicidade não depende de estar com alguém.

Se alguém te faz feliz: amigos, família ou você mesmo, ok. Foi esse apoio que você buscou. A fase do chororô, do beber para esquecer, do tentar ficar com outro alguém…passou! Simplesmente evaporou.

Você aprendeu que não precisa se forçar para ver que o passado não volta mais, que o presente não é o mesmo que imaginou, mas o futuro você pode construir dia após dia.

Um dia você cresce e amadurece…

Todo amor terá sempre a sua importância, mesmo que daqui um tempo ele seja apenas algumas lembranças.

 O tempo quase todo
Eu sou como você
Igual a todo mundo
Ao menos tento ser

Eu faço as coisas certas
Eu dou o meu melhor
Mas sempre que eu não posso
Eu perco o passo
Porque eu devo ter
Um outro coração
Que enlouquece em mim
Sempre antes do fim

O tempo quase todo
eu tenho os pés no chão
Eu não entrego os pontos
Mas em algum momento
Eu perco o rumo a razão

É sempre a mesma história
Com a gente foi igual
Desde a primeira cena
Eu já sei o final

E nem eu mesmo entendo
O mundo era pra nós
Ainda dói por dentro
fiz o que fiz

Só porque eu devo ter
Um outro coração
Que enloquece em mim
Sempre antes do fim

O tempo quase todo
Eu tenho os pés no chão
Eu não entrego os pontos
Mas em algum momento
Eu perco o rumo e a razão

E é sempre por tão pouco
Sempre com o jogo nas mãos.

Letra: Leoni / Voz: Celso Cardoso

A Carta

24/03/2009 por Sabrina Machado

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Luz, movimento e vozes.Escuridão, lentidão e silêncio. Simples, mas rebuscada, poucas palavras, porém significativas. Somente uma carta.

Queria escrever uma carta, mas uma diferente. Não quero uma carta como as outras; muito menos uma carta-resposta, uma carta postal, uma carta nominal, uma carta comum, uma carta…Carta!

Hoje descobri que não sei escrever uma carta, as palavras são confusas. A simplicidade sempre me aguçou um sentimento de carta. Passarei horas para explicar esse sentimento, ninguém jamais entenderá, nem ao menos tentarão entender.

 Lembro-me que a última carta que escrevi era apenas uma carta. Agora necessito de palavras que façam sentido e não apenas isso. Preciso de um aroma especial, de um conjunto de elementos que transporá qualquer ideia inicial.

O meu destinatário será você. Consigo adivinhar o seu primeiro pensamento: “não era direcionada a mim”. Mas o meu maior labirinto não é escrever a minha/sua carta perfeita é te convencer que passei esse tempo todo, apenas para lhe escrever a CARTA e não uma carta qualquer.

Procurei em um livro para aprender a escrever, mas ele não me ensinou aquilo que preciso. Palavras, palavras, frases, parágrafo e ponto. Moral da história? Eu não tenho uma.

Quero construí-la com você e essa carta será um documento, não será um acordo, será um enlace, não será registrada em cartório. Testemunhas? Não precisamos, mas do que um ao outro. Um dia eu escrevo. Um mês eu envio.

E depois disso sumirei de novo.

Quando eu me distraio

08/03/2009 por Sabrina Machado

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Acordei mais feliz hoje. O lençol estava menos bagunçado do que o do dia anterior. O frio que fez à noite transmitiu certa tranquilidade. Deixei de pensar no seu abraço que me aquecia em noites assim. Custo a acreditar que me acostumei a ficar só.

Levanto e tento programar o dia. No banho, claro. Daí que começam os pensamentos repreendidos.

Tem dias que não gosto de memórias.

“Às vezes se eu me distraio / Se não me vigio um instante / Me transporto pra perto de você”

Saio para almoçar. O caminho até lá é longo, mas me contento em ler algo e ouvir aquelas músicas que você nunca gostou. Nesse instante, consigo fugir das lembranças e pensar que estou bem sem você.

De repente, senta alguém do meu lado e sinto seu perfume.  

“Às vezes se eu me distraio / Se não me vigio um instante / Me transporto pra perto de você”

Parei de desejar a todo instante sua companhia nas minhas viagens de trem. Até bem pouco tempo atrás, sentia o celular vibrar no meu bolso. O coração acelerava. Nunca mais foi você quem ligou.

Chego ao trabalho e é tudo a mesma coisa. Abro meus e-mails, começo a rotina de trabalho. Hoje é sexta-feira e é claro que aquele meu amigo vai perguntar do cineminha.

“Às vezes se eu me distraio / Se não me vigio um instante / Me transporto pra perto de você”

Saio do trabalho e vou direto para casa. Não sei onde você está. Talvez com seu irmão. Seus amigos. Mas não fico imaginando mais. Passei dessa fase…mas andar sozinha por aí, ainda me distrai…

“Às vezes se eu me distraio / Se não me vigio um instante / Me transporto pra perto de você”

Imagem:                http://www.nefasto.eu/intervencao/teletransporte/comment-page-1/

Separação

19/02/2009 por Sabrina Machado

Sete horas.

Ele acordou mais cedo do que de costume.

 

Poucos segundos depois.

Ela sequer tinha dormido a noite inteira.

 

Ele não encontra o sapato nem a escova de dente. Devia ter esquecido na casa dela. Pensou nela nesse instante.

 

Ela estava com uma péssima feição. Organizada, nunca tinha sido, mas resolveu arrumar o quarto de madrugada e já tinha separado o vestido que usaria.

 

Ele tomou banho e vestiu a mesma calça que estava na noite anterior. Deixou cair a carteira e a foto dela.

 

Ela ficou mais de uma hora no banho. Pensando nas vezes que ele estava ali. Mas quando lembrou que ele não era como pensava, esqueceu.

 

Ele guardou a foto e pensou nela. Pensou em ligar, mas foi correndo para o trabalho. Mais cedo do que deveria.

 

Ela se arrumou como se fosse encontrá-lo. A quantidade perfeita de gloss no lábio. Lápis e rímel no olho. O perfume que ele gostava.

 

Ele sentiu esse cheiro por todo o percurso até chegar ao trabalho.

 

Ela sentiu o rosto dele encostando ao seu pescoço para sentir o perfume. Mas novamente repreendeu o pensamento.

 

Os dois trabalharam normalmente. Mas os pensamentos se encontravam às vezes. Ligar, não ligar. Pedir desculpas. Sugerir um jantar.

 

Ela já tinha decidido. “Não dava mais”.

 

Ele já tinha decidido. “Ela não me quer, mas ainda a amo”.

 

Três meses depois.

 

Ela se arruma como antes.

 

Ele continua mal arrumado.

 

Ela acredita que já o esqueceu.

 

Ele bebe para esquecê-la.

 

Ela já tem outro alguém.

 

Ele já tem vários ninguéns.

 

Em pensar que foram meses de intenso amor. Foram únicos um para o outro. Hoje são únicos, cada um para um lado.

 

 

A voz de uma mente perturbada

10/02/2009 por Sabrina Machado

A flor estava no jardim até agora.
A estrela não clareia mais as noites de verão.
As cartas foram deixadas debaixo da porta.
A dor ficou.

O relógio vai embora levando o tempo que falta.
A falta é minha.
A ida é sua.
A dor ficou.

A alma dói.
Mas já não tenho alma.
Praticamente um ser pagão.
Ela era sua. Você se foi
A dor ficou

Companheira para todas as horas. Que horas?
Que companheira? Para todas?
As palavras me faltam, me abandonaram também.
A dor ficou. E eu já estou indo.